Nas margens do rio Almonda, pouco antes de este desaguar no grandioso rio Tejo, encontra-se a Casa Maria Avieira, uma casa construída em 1960 que carrega consigo a memória de uma cultura ribeirinha ancestral.
A casa é um símbolo vivo da história dos avieiros, um povo que deve o seu nome à Praia da Vieira, de onde originalmente vieram antes de se estabelecerem nas margens do Almonda e do Tejo. Estes homens e mulheres, de trabalho árduo e vida simples, trouxeram consigo um modo de vida genuíno e uma forte ligação ao rio, que os sustentava e ao qual se dedicavam com grande respeito. Eram pessoas humildes, de coração generoso, que mesmo com poucos recursos nunca hesitaram em dar a mão a quem precisava. Esta comunidade viveu sempre em harmonia com o seu entorno, conhecendo cada recanto do rio, cada corrente, e navegando com destreza nas suas barcaças de madeira, muitas das quais ainda hoje permanecem atracadas nas margens, mesmo à porta da Casa Maria Avieira, como testemunhas silenciosas de uma história viva.
Maria Avieira, a última mulher avieira desta margem, é uma figura central nesta narrativa. Todos os dias, sozinha, ela remava no seu pequeno barco pelo rio Almonda, navegando até ao Tejo para pescar a fataça, um peixe delicado, muito apreciado na gastronomia local e que ainda hoje é considerado um verdadeiro pitéu nos restaurantes da região.


A vida de Maria era marcada pela coragem e pela persistência; ela vendia o fruto do seu trabalho com orgulho, mantendo viva uma tradição que reflete a força das gentes do rio e o seu profundo respeito pela natureza.
Esta casa testemunhou a passagem do tempo e as transformações na vida dos avieiros e da região e por isso a sua remodelação procurou preservar ao máximo a sua traça original e a identidade histórica local. As linhas simples e acolhedoras da arquitetura tradicional foram mantidas, assim como o espírito rústico que caracteriza as habitações deste povo.
A Azinhaga onde a Casa Maria Avieira se encontra é um refúgio de serenidade, um lugar onde a tradição ainda pulsa e onde é possível sentir a essência da vida ribeirinha. É um testemunho de um modo de vida que resistiu às mudanças, preservando valores como a solidariedade, o trabalho honesto, a conexão íntima com o meio natural e as ligações humanas que se constróem de verdade.



