A pequena aldeia da Azinhaga, encravada no coração rural de Portugal, e a aldeia mais antiga do Ribatejo, é muito mais do que um ponto no mapa. É a terra que viu nascer e crescer José Saramago, um dos maiores escritores portugueses e vencedor do Prémio Nobel de Literatura.

Aqui, entre as ruas simples e a natureza serena, a memória do escritor é cultivada com cuidado e carinho, criando um verdadeiro santuário literário e afetivo.

No centro da Azinhaga, ergue-se uma estátua dedicada a Saramago, um tributo à sua genialidade e ao seu amor pelas raízes que sempre manteve vivas em seus escritos. Para celebrar o centenário do nascimento do autor, a aldeia plantou uma avenida singular: 100 oliveiras foram ali plantadas, cada uma delas recebendo o nome de uma personagem dos seus livros, homenageando a riqueza dos mundos que ele criou. As duas primeiras oliveiras, porém, são especiais e centenárias, uma de cada lado da avenida, e carregam os nomes da avó e do avô do escritor, símbolos da importância da família e das origens que tanto influenciaram a sua obra.


A Azinhaga não é apenas um local de homenagem; é também um espaço vivo dedicado à cultura e à memória de Saramago. A Fundação José Saramago tem ali a sua sede, promovendo atividades, exposições e projetos que mantêm o legado do escritor sempre presente e acessível a todos que desejam conhecê-lo melhor.
Nas ruas da aldeia, o amor está também inscrito na pedra e no nome das vias. A rua que leva o nome de José Saramago encontra-se com a rua dedicada à sua mulher amada, Pilar del Río. Segundo Pilar, aquele é um ponto especial da aldeia: a chamada “esquina do amor”. Diz-se que todos os enamorados que por ali passem devem dar um beijo, selando ali a sua paixão, num gesto que simboliza o amor eterno que uniu o casal e que inspira todos os visitantes.

Há uns anos visitei a sua casa em Lanzarote, Espanha. Nada planeado mas aconteceu. Ali também todo e qualquer pormenor falava do amor entre este casal e o amor que Saramago nutria pela sua terra Natal, de tal forma que no seu jardim tinha plantado uma oliveira que trouxera da Azinhaga. Era a sua forma de manter presente as suas raizes nopaís que o adotou.
A Azinhaga é assim um lugar onde a literatura, a memória e o afeto se entrelaçam de forma única. É uma terra onde o tempo parece correr com outra cadência, onde cada árvore, cada rua e cada canto contam histórias.
Visitar a Azinhaga é mergulhar num universo onde o passado e o presente conversam, onde as raízes se mantêm fortes e onde o amor, a arte e a vida se celebram a cada passo!



